{"id":410,"date":"2013-05-20T13:16:21","date_gmt":"2013-05-20T15:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontraleblon.com.br\/noticias\/?p=410"},"modified":"2013-08-15T14:20:19","modified_gmt":"2013-08-15T16:20:19","slug":"aumento-do-numero-de-assaltos-no-leblon-leva-moradores-a-alterarem-rotinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontraleblon.com.br\/noticias\/aumento-do-numero-de-assaltos-no-leblon-leva-moradores-a-alterarem-rotinas\/","title":{"rendered":"Aumento do n\u00famero de assaltos no Leblon leva moradores a alterarem rotinas"},"content":{"rendered":"<p>O ponto final da caminhada da advogada Ruth Gouv\u00eaa na tarde de domingo pela Avenida Ataulfo de Paiva era o <a title=\"Shopping Leblon\" href=\"http:\/\/www.encontraleblon.com.br\/leblon\/shopping-leblon.shtml\" target=\"_blank\">Shopping Leblon<\/a>, onde pretendia comprar um chip novo de celular para o neto, assaltado na semana passada. O trajeto, no entanto, foi interrompido perto da Rua Cupertino Dur\u00e3o. Ali, um homem se aproximou e falou calmamente: \u201cMe d\u00ea tudo que a senhora tem\u201d. Por tudo se entendiam os R$ 180 de sua carteira, mas nenhum celular, deixado em casa por precau\u00e7\u00e3o. Afinal, h\u00e1 duas semanas, Ruth j\u00e1 tinha perdido um aparelho em outro assalto no bairro, em local pr\u00f3ximo aos tapumes das obras da Linha 4 do metr\u00f4 na Pra\u00e7a Antero de Quental. A sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a nessas e em outras \u00e1reas do Leblon tem mexido com a rotina de moradores, que recorrem a estrat\u00e9gias como mudar seus trajetos di\u00e1rios, carregar celulares velhos e desabafar nas redes sociais.<\/p>\n<p>\u2014 Fiquei muito nervosa e voltei para casa imediatamente. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil. \u00c9 meu terceiro assalto no Leblon este ano. Coloquei um relato no Facebook. Com os tapumes do metr\u00f4, a situa\u00e7\u00e3o piorou, porque as passagens ficaram estreitas e isoladas. No pen\u00faltimo assalto, perdi o iPhone e dinheiro para um homem que pediu para eu acender o cigarro dele. No outro, na frente do supermercado Zona Sul da Rua General Artigas, levaram a carteira. Eram dois homens, e um estava armado \u2014 relembra a advogada, que diz n\u00e3o ter procurado a delegacia do bairro, a 14\u00aa DP (Leblon), porque j\u00e1 est\u00e1 cansada de registrar assaltos.<\/p>\n<p>Segundo os \u00edndices do Instituto de Seguran\u00e7a no bairro do Leblon (ISP), no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 120 casos de roubo a transeunte na 14\u00aa DP (que tamb\u00e9m recebe casos do bairro de Ipanema), um aumento de 32% em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de registros no mesmo per\u00edodo de 2012. As ocorr\u00eancias de roubo de celular mais que dobraram, subindo de 17 para 39 casos na compara\u00e7\u00e3o entre os mesmos dois trimestres.<\/p>\n<p>Descrente da a\u00e7\u00e3o policial, a estudante de psicologia La\u00eds Monteiro, de 19 anos, que teve o celular roubado na frente de casa, na Avenida Ataulfo de Paiva, h\u00e1 tr\u00eas semanas, diz que n\u00e3o registrou o epis\u00f3dio porque \u201cacha que n\u00e3o serve para nada al\u00e9m de estat\u00edstica\u201d. Seu pr\u00e9dio fica entre a Avenida Borges de Medeiros e a Rua Almirante Pereira Guimar\u00e3es, em frente a um dos canteiros de obras do metr\u00f4, onde se formou um corredor comprido e estreito, que ela chama de \u201csinistro\u201d:<\/p>\n<p>\u2014 Eu estava na porta de casa, passou algu\u00e9m de bicicleta e arrancou o celular da minha m\u00e3o. J\u00e1 vi v\u00e1rios casos. Outro dia arrancaram o cord\u00e3o do pesco\u00e7o de uma mulher na minha frente. Tamb\u00e9m algu\u00e9m de bicicleta. N\u00e3o posso nem ouvir o barulho de uma bicicleta que fico apavorada. Chegar em casa \u00e0 noite est\u00e1 imposs\u00edvel. Tenho tentado entrar pela garagem do pr\u00e9dio, na rua lateral. Instalaram c\u00e2meras, mas servem de qu\u00ea? Precisava era ter seguran\u00e7as. Moro aqui desde os 7 anos e nunca tinha sentido esse medo.<\/p>\n<p><strong>Loja serve como esconderijo<\/strong><\/p>\n<p>As c\u00e2meras a que a estudante se refere foram instaladas em mar\u00e7o pelo cons\u00f3rcio Linha 4 Sul (respons\u00e1vel pelas obras do metr\u00f4) nos trechos da Ataulfo de Paiva interditados pelas interven\u00e7\u00f5es: entre as avenidas Borges de Medeiros e Afr\u00e2nio de Melo Franco, e entre as ruas Bartolomeu Mitre e General Urquiza. Segundo o cons\u00f3rcio, s\u00e3o mais de 30 c\u00e2meras, que transmitem as imagens para o 23\u00ba BPM (Leblon).<\/p>\n<p>No segundo trecho de obras, perto da Pra\u00e7a Antero de Quental, o fim da tarde de domingo foi movimentado. Seguran\u00e7a das Lojas Americanas que ficam no local, Wellington Souza conta que duas jovens entraram correndo no local fugindo de um assaltante por volta das 17h. Uma hora antes, uma senhora tinha passado por ali avisando que um homem de cal\u00e7a branca estava assaltando no corredor dos tapumes perto da esquina da Rua General Urquiza. Duas vendedoras da mesma loja afirmam que, ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o dos tapumes, a loja fica vazia mais cedo e o n\u00famero de roubos aumentou. No s\u00e1bado, um homem levou um aparelho de DVD. As duas, gr\u00e1vidas em fim de gesta\u00e7\u00e3o, com medo de sofrer viol\u00eancia, apenas assistiram ao roubo pelo circuito interno. Numa noite de domingo, com pouco movimento na rua, o isolamento da \u00e1rea provoca ainda mais medo. Precisando tirar dinheiro, as moradoras Maria Aparecida Bittencourt e \u00c2ngela Bittencourt tentaram a sorte ali num caixa eletr\u00f4nico no domingo \u00e0 noite:<\/p>\n<p>\u2014 Tenho verdadeiro pavor de andar aqui, s\u00f3 que precisava tirar dinheiro. Moramos aqui perto, mas vamos pegar um t\u00e1xi. N\u00e3o d\u00e1 mais para ir a p\u00e9 de jeito nenhum \u2014 diz Maria Aparecida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m moradora do bairro, Alba Zaluar, pesquisadora do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Uerj, com \u00eanfase no estudo das viol\u00eancias, diz que n\u00e3o se pode chegar ao ponto de ver a popula\u00e7\u00e3o com dificuldade de sair de casa:<\/p>\n<p>\u2014 Se o morador n\u00e3o est\u00e1 conseguindo sair de casa para trabalhar ou se divertir, o problema est\u00e1 ficando s\u00e9rio. A pol\u00edcia precisa dar seguran\u00e7a a essas pessoas, aumentando o policiamento e usando a tecnologia para saber onde o policiamento deve estar. \u00c9 preciso oferecer sistemas \u00e1geis de den\u00fancia. A pol\u00edcia deveria estar mais atenta ao que est\u00e1 acontecendo. De fato, as \u00e1reas dos tapumes s\u00e3o convidativas a assaltos. Recomendo que liguem para o Disque-Den\u00fancia. Se todos fizerem isso, vai ser poss\u00edvel calcular a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi o que fez o engenheiro Raphael Carvalho, de 33 anos, depois de viver um assalto \u00e0 m\u00e3o armada, ao meio-dia da \u00faltima ter\u00e7a-feira, na Praia do Leblon. Ele estava parado no engarrafamento quando viu um homem se aproximar:<\/p>\n<p>\u2014 Com as mudan\u00e7as no tr\u00e2nsito por causa das obras (do metr\u00f4), a praia tem ficado sempre parada. Vi o homem vindo na dire\u00e7\u00e3o do meu carro, mas n\u00e3o imaginei que seria assaltado ao meio-dia em plena Praia do Leblon. Ele bateu no vidro e eu ignorei. A\u00ed, ele sacou a arma e bateu de novo, dessa vez, com o cabo da arma. Abri com a arma apontada para mim. Ele levou dinheiro, rel\u00f3gio, celular e, antes de ir embora, falou: \u201cFica com Deus\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jardim de Alah tem v\u00e1rios casos<\/strong><\/p>\n<p>Outra \u00e1rea que tem sido palco de assaltos fica nos fundos da Cobal do Leblon, abrangendo as pra\u00e7as Cl\u00e1udio Coutinho e Ministro Romeiro Neto e parte das ruas Humberto de Campos, Jos\u00e9 Linhares e Cupertino Dur\u00e3o. O filho de 14 anos da fonoaudi\u00f3loga Lucia Helena Ferreira sofreu tr\u00eas tentativas de assalto nos \u00faltimos tr\u00eas meses nessa \u00e1rea. Ela mudou os hor\u00e1rios das aulas de t\u00eanis do menino no clube do Flamengo e os trajetos que ele faz para suas atividades:<\/p>\n<p>\u2014 Coloquei a aula num hor\u00e1rio em que algu\u00e9m possa busc\u00e1-lo. Tem um grupo assaltando muitos alunos do Santo Agostinho. Eles agem na hora da sa\u00edda do col\u00e9gio. Na \u00faltima vez em que foram atr\u00e1s do meu filho, ele se refugiou no supermercado P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e fui busc\u00e1-lo. Isso n\u00e3o era assim. Precisa de policiamento.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a principal reivindica\u00e7\u00e3o da presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores e Amigos do Leblon (AMA-Leblon), Evelyn Rosenzweig. Ela conta receber e-mails di\u00e1rios sobre casos de assaltos, muitos deles informando que o criminoso estava a bordo de uma bicicleta. Com base nesses relatos, ela diz que outras vias problem\u00e1ticas t\u00eam sido as avenidas General San Martin e Afr\u00e2nio de Melo Franco, al\u00e9m do Jardim de Alah como um todo, onde comerciantes e seguran\u00e7as de restaurantes relatam v\u00e1rios casos de assalto.<\/p>\n<p>O comandante do 23\u00ba BPM (Leblon), tenente coronel Luiz Ot\u00e1vio, nega que haja uma onda de assaltos e pede aos moradores que registrem os casos na delegacia para ajudar o planejamento da PM. Ele garante ainda que o policiamento no entorno das obras do metr\u00f4 foi refor\u00e7ado.<\/p>\n<div>\n<em>Fonte: O Globo<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ponto final da caminhada da advogada Ruth Gouv\u00eaa na tarde de domingo pela Avenida Ataulfo de Paiva era o Shopping Leblon, onde pretendia comprar um chip novo de celular para o neto, assaltado na semana passada. O trajeto, no entanto, foi interrompido perto da Rua Cupertino Dur\u00e3o. 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