Teatro Oi Casa Grande no Leblon

Teatro Oi Casa GrandeFalar do Teatro Oi Casa Grande no Leblon é falar de parte da história cultural recente do Rio de Janeiro.

O Teatro Casa Grande não é melhor nem pior do que qualquer outro teatro. Ele é a maior tribuna pela liberdade no Brasil. Há mais de 40 anos, um teatro de arte e luta.





História do Teatro Oi Casa Grande

Primeiros anos: nascido com grandeza

Os amigos de infância Max Haus, Moysés Ajhaenblat e Moisés Fuks uniram-se ao companheiro “de mesmos ideais políticos e culturais” Sergio Cabral Santos (pai do atual governador do Rio de Janeiro) e fundaram, no dia 25 de agosto de 1966, o Café-Teatro Casa Grande.

Por lá passaram, nos primeiros anos, grandes artistas da época: Nara Leao, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e muitos outros. Em 1968, Moysés Fuks  se desligou da sociedade por razoes pessoais e Sergio Cabral deixou a apresentaçao do Casa Grande para se dedicar exclusivamente ao Pasquim, publicaçao jornalística de muito sucesso na época. 

Então, o teatro passou a ser administrado por Max Haus e Moysés  Ajhaenblat. No mesmo ano, ápice da ditadura militar, o Casa Grande abrigou as revistas de Oduvaldo Vianna Filho De Lenin a Costa e Silva e De Frente e de Costa; as parcerias musicais de Paulo Affonso Grisolli e Sidney Muller em Catiti Catiti, com Joyce e Guttemberg Guarabyra; Yes, Nós Temos Braguinha, show em homenagem ao compositor Joao de Barro; Carnavália, que relançou Nuno Roland, Blecaute e Marlene, comandados pela cronista Eneida de Morais – depois transformado em antológico álbum duplo gravado pelo MIS; Alice No País Divino Maravilhoso, escrito a dez maos por Luis Carlos Maciel, Marcos Flaksman, Paulo Afonso Grisolli, Sidney Muller e Tite de Lemos, que lançou no Rio a cantora e compositora Sueli Costa e teve a participaçao de Hildegard de Angel, Marlene, Grande Otelo, Ary Fontoura e mais 30 artistas e músicos. 

Nos anos 70, foram apresentados espetáculos teatrais de peso, como Woyzeck, de Buchner, com Maysa Monjardim Matarazzo como produtora e atriz; A Mandrágora, de Maquiavel (direção de Paulo José, com Dina Sfat, Ney Latorraca, Toni Ferreira e Thelma Reston) e Brasileiro: Profissao Esperança, de Paulo Pontes (direçao de Bibi Ferreira, com Maria Bethânia e Ítalo Rossi).

E shows musicais inesquecíveis, como Cena Muda, de Maria Bethânia (direçao de Fauzi Arap), Vem Quem Tem, Vem Quem Tem, com Joao Nogueira e Roberto Nascimento, e Tempo e Contratempo (direçao de Ruy Guerra). Neste último, o grupo vocal MPB-4 abria cantando sucessos de Chico Buarque e, na segunda parte, o próprio Chico apresentava o repertório de sua peça censurada Calabar. No Casa Grande, os sucessos Ana de Amsterda, Bárbara e Tatuagem foram ouvidos pela primeira vez. No espetáculo Fado Tropical, houve fato inédito e inusitado: pela primeira vez, o cenário de uma peça teatral foi proibido pela censura. O cenógrafo Helio Eichbauer foi informado na véspera da estréia e, sem muito tempo para modificaçoes, virou o cenário original ao contrário. O público aplaudiu de pé.

Anos de Chumbo: palco da democracia

Em 1974, realizou-se no teatro a primeira reuniao política aberta do País depois de muitos anos de proibição. No ano seguinte, durante sete semanas, o I Ciclo de Debates da Cultura Contemporânea reuniu expressivos representantes das artes plásticas, cinema, televisao, teatro, música, propaganda e literatura. Dentre elas, Plínio Marcos, Rubens Gerschman, Muniz Sodré, Walter Avancini, Sergio Cabral, Chico Buarque, Ziraldo, Zuenir Ventura, Mino Carta, Antonio Houaiss, Alceu de Amoroso Lima, Leon Hirshman, Luis Carlos Barreto, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade, Affonso Romano de Santana e Paulinho da Viola.

Em 1976, realizou-se o Segundo Ciclo de Debates sobre cultura e o I Ciclo de Debates sobre Economia, que contou com a participaçao de Bresser Pereira, Cláudio Bardella, Célio Borja, Kurt Mirrow, Almir Pazzianoto, Alceu Collares e Fernando Henrique Cardoso, futuro presidente da República. Esses debates trouxeram pela primeira vez ao Rio o entao sindicalista e metalúrgico Luiz Inácio da Silva, que falou a uma platéia formada por políticos e estudantes.

Entre 1976 e 1980, o teatro foi palco de diversos atos pela anistia política e reunioes de artistas e produtores culturais contra a censura entao vigente. Em novembro de 1984, o entao candidato democrático a presidencia da República, Tancredo Neves, recebeu documento de intelectuais e artistas brasileiros contra a censura. Na ocasiao, declarou que “O Teatro Casa Grande é o território livre da democracia do Brasil.”

No mesmo ano, foi realizada a primeira reuniao da campanha Diretas Já, com a participaçao de Ulisses Guimaraes e Teotônio Vilella. A grande aceitaçao permitiu que o movimento fosse levado as praças publicas do País, em uma das mais marcantes e impetuosas campanhas político-democráticas da história do Brasil.

Até os dias atuais: sucesso e renascimento

Em 29 de julho de 1985, em reconhecimento ao papel desempenhado pelo Casa Grande na luta contra a censura, o Ministro da Justiça Fernando Lira escolheu o teatro para assinar o decreto que pôs fim a censura, diante de intelectuais e artistas de todo o País.

De volta ao período democrático, o Casa Grande abrigou sucessos como O Mistério de Irma Vap, de Charles Ludlam (direçao de Marília Pera, com Marco Nanini e Ney Latorraca); Louro Alto Solteiro Procura, monólogo de Miguel Falabella (direçao de Jaqueline Laurence e texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa); Como Encher Um Biquíni Selvagem(texto e direçao de Miguel Falabella, com Claudia Gimenez); Nardja Zulpério, de Hamilton Vaz Pereira, com Regina Casé;Um Gordoidao no País da Inflaçao, show de Jô Soares; Confissoes de Adolescente, de Maria Mariana e direçao de Domingos de Oliveira; O Reverso da Psicanálise, de Charles Ludlam (direçao de Marília Pera, com Luiz Fernando Guimaraes e Yoná Magalhaes); O Lobo de Rayban, de Renato Borghi (direçao de José Possi Neto, com Raul Cortez e Christiane Torloni); Um Edifício Chamado 200, de Paulo Pontes (direçao de Joao Bethencourt, com Milton Moraes no elenco).

Incêndio no Teatro Oi Casa Grande


Em 5 de abril de 1997, um incendio durante a temporada da peça O Burgues Ridículo (adaptaçao de Joao Falcao e direçao de Guel Arraes para o clássico de Moliere, com produçao e atuaçao de Marco Nanini) abalou o Casa Grande. Mas o teatro manteve as portas abertas. Nesta fase, destacou-se o sucesso de A Máquina, com direçao de Joao Falcao, que revelou jovens talentos como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Vladimir Brichta e Gustavo Falcao.

Outros espetáculos de destaque foram O Que Diz Molero, dirigido por Aderbal Freire Filho, Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho, com direçao de Antonio Pedro, e Woyzeck, com Matheus Nachtergaele, Marcélia Cartaxo e os atores do Grupo Piollin.

Além de acolher grandes espetáculos, o Casa Grande produziu em outros palcos O Homem de La Mancha, de Dale Wasserman e direçao de Flavio Rangel, que inaugurou o Teatro Bloch, com Bibi Ferreira, Paulo Autran, Grande Otelo e grande elenco, e Gota D’agua, de Chico Buarque de Hollanda e Paulo Pontes, direçao de Gianni Ratto, com Bibi Ferreira e mais 40 atores, assistido por mais de 1 milhao de pessoas.

A luta ideológica também se manteve viva. A campanha Casa Grande Vive! levou apresentaçoes teatrais, debates e exposiçoes a Sala Teresa Aragao, foyer do antigo teatro. No dia 25 de abril de 2005, para celebrar os 30 anos dos históricos debates políticos, foi lançado na sede do Clube de Engenharia, o Instituto Casa Grande, para desenvolver eventos, novos ciclos de debates e múltiplos projetos e pesquisas. Agora, em 2008, o teatro está de volta ao lugar no qual, na realidade, nunca deixou de existir.


Horário de Funcionamento:

Terças e Quartas - 15hs às 20hs
Quintas e Sextas - 15hs às 21h30
Sábados - 15hs às 22hs
Domingos - 15hs às 19h30

Teatro Oi Casa Grande no Leblon
Endereço:
Rua Afrânio de Melo Franco 290 - Bairro Leblon - Rio de Janeiro - RJ
Telefone: (21) 2511-0800

Site Oficial: http://oicasagrande.oi.com.br/






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